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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Nepal - Trekking Annapurna Circuit

Nepal
Quando começamos a praticar escalada em rocha no Brasil aprendemos com os amigos mais experientes que o excesso de confiança pode ser perigoso, e a mesma máxima pode ser aplicada  para trekkings no Nepal.

Escolhemos um trecho curto, mas a caminhada envolvia 5 dias de trekking saindo de  Nayapul a 1070 metros altitude, alcançando Poon Hill a 3210 metros e voltando pelo outro lado da trilha até o ponto de origem.  A vantagem é que a maioria dos trechos no Annapurna contam com a infra de tea houses, que são casas simples nas montanhas e que recebem os viajantes com um pequeno restaurante, um quarto com cama e se tiver sorte até chuveiro quente.
Os mais aventureiros devem estar pensando: "Moleza, nem precisa acampar!".  Bom tratando-se de Himalaia tudo é bem diferente; a montanha mais alta do Brasil é o Pico da Neblina e tem 2993 metros já Poon Hill que é considerada uma trilha de baixa altitude no Nepal tem 3210m...
Como comentamos antes, fechamos o trecking com o Nirmal da Hyamalaya Magic Adventures e contratamos um guia e um porter além dos documentos obrigatórios: o TIMS (Trekkers' Information Management System) e o ACAP (Annapurna  Conservation Area Project).
Os documentos foram apresentados em vários check points pelo caminho e a multa para quem começa a caminhada sem as devidas permissões é de US$80 além da obrigação de retornar de onde estiver para regularizar a situação.
1° Dia – De Nayapul (1070m) a Tikhedhungga (1540m)
 Logo cedo nossos companheiros de viagem nos encontraram no hotel e de lá saimos de taxi até Nayapul. Combinamos que iríamos andar em nosso ritmo e que eles poderiam dar uma acelerada se ficássemos muito para trás.
Nossa mala devia ter uns 12 kg com os sacos de dormir e cheguei a comentar com a Deia que com este peso eu poderia ter carregado tudo sem o porter, mal sabia eu....

Nepal
Trilhas abertas e bem sinalizadas

Nepal
Muitos campos de arroz e lentilha pelo caminho
De Nayapul a Tikhedhungga foram 4 horas de caminhadas entre subidas e trilhas abertas, mas acabamos chegando a nossa primeira tea house a tempo de aproveitar o almoço. O lugar era grande e já estava reservado para dois grupos de diferentes nacionalidades que caminhavam em outros trechos da montanha.
Para o primeiro dia até pareceu tranqüilo apesar de estarmos um pouco cansados. A trilha estava bem marcada e conseguimos comprar água fervida pelo caminho, evitando os tabletes de Iodine que deixam um sabor químico na água.
2° Dia – De Tikhedhungga (1540m) a Ghorepani (2860m)
Neste segundo dia, depois de uma noite fria nos sacos de dormir, seguimos viagem logo cedo parando em Ulleri (1960m) para um chá quentinho e em Nangge Thanti (2430m) para o almoço.
Neste trecho não tem choro, são aproximadamente 7 horas de caminhada com infinitos degraus de pedra e muito perrengue pelo caminho. Só para que vocês possam entender, a cidade de Santos está a 2 metros de altitude e São Paulo a 760 metros. A viagem de carro, entre as estas cidades dura uns 60 minutos sem transito e é possível sentir os ouvidos tamparem na serra do mar durante os quase 800 metros de desnível. Bom, imagine agora se existisse uma escada ligando as duas cidades e voce tivesse que subir a mesma serra pela escadaria em 7 horas! Bom, se somarmos mais uns 500 metros morro acima você poderá entender como foi nosso segundo dia detrekking no Annapurna.
Nepal
A medida que subíamos a paisagem e trilha ia mudando

Nepal
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Em boa parte do caminho a montanha ia mostrando seus contornos devagarinho
Quando chegamos a casa de chá em Ghorepani  quase 2:30 hrs da tarde  o frio já estava forte e nós estávamos moídos.
No Nepal as casas tem um sistema de aquecimento interessante: trata-se de um latão de 50 litros no meio da sala que é utilizado como lareira e aquecedor para o chuveiro, e foi ali mesmo em volta do tambor, que passamos o resto da tarde junto  aos  proprietários da tea House conversando e descansando.
Tea Houses na montanha tem o preço tabelado pelo governo e cobram em média US$ 1,5 por um quarto de casal.  As famílias vivem desta renda e complementam a receita vendendo alimentos e bebidas a preços mais altos.
Sempre que parávamos nas Tea Houses, pedíamos cerveja, refrigerantes e experimentávamos comidas diferentes. Esta foi a maneira que encontramos de ajudar as pessoas que nos acolhiam em suas casas depois de tantas horas de trilha e cansaço.
3° Dia – De Ghorepani (2860m) a Poon Hill (3210m) e a descida a Tadapani (2630m)
No terceiro dia levantamos as 4:30 da manhã para ver o amanhecer na cordilheira do Himalaia.
Foi 1 hora de subida até Poon Hill em  meio a um monte de turistas com head lamps em um frio que chegava facilmente a menos de 0°C.É claro que tínhamos confiado no Nirmal e trazíamos na mala apenas um fleece fininho; nada de luvas ou Down Jacket, que tínhamos deixado no hotel em Pokhara. Nem preciso dizer que sentimos uma friaca daquelas a ponto de ficar com os dedos duros até o toquinho da unha.

Poon Hill Nepal
Nepal
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Chegamos ao topo por volta das 5:40 hrs, mas infelizmente as nuvens em Poon Hill não deram trégua e só conseguimos ver um pedacinho das 6 montanhas enormes que estavam ali bem na nossa frente. Como diz o ditado: “O mundo não é perfeito!” e depois de uns 40 minutos já estávamos descendo novamente até Ghorepani para um café da manhã quentinho antes de recolhermos as coisas e rumar para Tadapani.
Nesta altura do campeonato já tinhamos acertado com o guia que no próximo dia desceríamos mais um pouco até Syauli Bazar, já que o trecho até Pitan Deurali ia requerer um esforço adicional sem muita compensação pelo visual.

Nepal

E lá fomos nós entre descidas e subidas até Ban Thanti (3180m), onde paramos para um merecido chá com a sombra do Annapurna nos acompanhando. Dali até Tadapani os trechos foram bonitos e a paisagem mudou bastante entre mata fechada e espaços de campo aberto contornando o rio. A verdade é que depois de tanto sobe e desce o que mais queríamos mesmo era uma boa Tea house para descansar o corpo depois de mais de 7 horas andando pelas trilhas. Este foi um dia bem duro...
4° Dia – De Tadapani (2630m) a Syauli Bazar (1220m)
Acordamos as 6:30 hrs com os chamados de nosso guia na porta do quarto. O tempo estava aberto e as montanhas que estavam tímidas e cobertas no dia anterior agora estavam abertas e mostrando todo o seu contorno.
Pela primeira vez, conseguimos ver todas as montanhas no horizonte: o Dhaulagiri I (8172m), Nilgiri (7061m), Annapurna I (8091m), Annapurna Sul (7219m), Hiunchuli (6441m) e Machhapuchhre (6993m) todos ali na nossa frente. Mas o tempo por aqui mudou rápido e antes de sairmos para nossa caminhada diária as nuvens já tinham tomado conta de tudo novamente.
Nepal
Nepal
Nepal
 Começamos o caminho ansiosos pelo trecho até Ghandruk já que dali para frente seria só descida. Doce desejo e infeliz engano, no total foram mais 6 horas de muitos degraus e raízes de árvores pelo caminho que acabaram garantindo muito cansaço e uma dor nos joelhos que nos perseguiu pelos próximos 3 dias. Nunca pensei que íamos ficar felizes em ver alguma subida já no final do percurso, mas toda escadinha para cima arrancava sorrisos, afinal estávamos descendo degraus o dia todo.
Lá pelas 15:00 hrs chegamos a Syauli Bazar e só tínhamos no pensamento uma boa comida e um canto para esticar as pernas depois de tanto caminhar morro abaixo.
A compensação ficou por conta da Tea House que ficava ao lado do rio e de onde podíamos escutar o forte barulho das águas descendo da montanha, parecia que o rio estava passando dentro de nosso quarto.
Aproveitamos esta última noite também para confraternizar com nossos companheiros de viagem e distribuir os envelopes de “tips” que servem de complemento de salário para quem trabalha na montanha. Não há uma regra geral para isto, mas o padrão, é gratificar a equipe com um dia de pagamento para cada semana de trabalho, fica a dica.
Nepal
Hora de comemorar com o time depois de tanta andança
O time era composto de nosso guia, um garoto de 23 anos que tinha um inglês mais ou menos e que para compensar dava risada o dia todo respondendo “ok,ok” toda vez que perguntávamos alguma coisa; e de nosso porter , que além de aproveitar toda chance que tinha para aprender inglês, nunca assumia que estava cansado ou que tinha fome ou sede. 
5° Dia – De Syauli Bazar (1220m) a Nayapul (1070m)
No 5º e último dia aproveitamos um descanso merecido  e saímos da Tea House mais tarde. Durante todo o trecho até Nayapul fomos cruzando campos de arroz, pequenas vilas e trechos de trilha aberta.  O festival Tihar tinha começado e como tradição as crianças estavam coletando dinheiro para usar em pick nicks e ajudar nas reformas das escolas da comunidade. Por isso cada vez que cruzávamos com alguma criança pelo caminho elas começavam a dançar de uma forma estranha, um misto de Shakira e Latino, contorcendo todo o corpo e cantando “rastaman piriri”. Bom para nós piriri sempre foi apelido de disenteria e a dancinha realmente lembrava um movimento de cólica o que acabou nos divertindo toda vez que escutávamos a música e víamos as contorções da mulecada pelo caminho...

Nepal


Nepal
Finalmente depois de 4 horas chegamos a Nayapul onde tomamos um táxi para Pokhara já carentes de uma boa refeição e uma cama de hotel confortável.
Se tivéssemos que resumir a experiência, diríamos que o esforço foi grande e pudemos presenciar a vida dura que o nepalês leva nas montanhas. Ainda assim, toda a dificuldade enfrentada por estas pessoas nunca apagou o sorriso no rosto de quem tivemos a sorte de cruzar pelo caminho.
O Nepal é um país pobre e com muitos contrastes. Ao mesmo tempo que estávamos preocupados em vestir botas de trekking e roupas adequadas para a caminhada, cruzávamos com porters carregando malas que alcançavam facilmente uns 40 kg enquanto vestiam calças jeans e tênis velhos.
Em nossas paradas nas Tea Houses o cardápio para os hospedes oferecia uma variedade de comidas como arroz, noodles, frango e até pizza.  Já para o povo local, guias e porters, a refeição de todos os dias sempre foi o Dal Bhat que é composto de arroz branco com um caldo de lentilha cozida acompanhado de verduras e alguns legumes apimentados.
Nepal
Nepal
Nossas amigas borboletas nos acompanharam por todo o caminho
As trilhas pelo Annapurna  estão bem marcadas e podem ser feitas sem um guia desde que você tenha alguma experiência com Trekking. Ainda assim, se tivéssemos que andar novamente por aqui não abriríamos mão do Porter. Afinal, levar mochila pesada nas costas com tanto sobe e desce é dureza de verdade.
De Pokhara seguimos para Kathmandu e logo estaremos na Tailandia.

4 comentários:

  1. Daniel, seu doidão, faz tempo que entro aqui no seu blog. Nepal!!?? Caraca... Abraço. Edu (Tak)

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    1. Tak que saudade de vc meu amigo. Pois é, o Nepal é rústico, mas a visão destas montanhas compensa o esforço!

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  2. Ha Ha acertei andreia viu com sou Inteligente

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